
As aventuras de Almir, o Pernambuquinho
Primeiro vamos mostrar dois diálogos do craque Almir com dois treinadores.
Primeiro:
Renganeschi: Meu filho, porque você não para de beber ?
Almir: Olha, seu Renga, não paro por duas coisas. Porque gosto e a bebida não me prejudica. Eu não treino direito ? Não estou sempre em forma ? Alguma vez deixei e jogar a não ser por contusão grave ?
Renganeschi bateu nas costa de Almir e foi embora.
Segundo:
Iustrick: Almir, você não acha que Copacabana fica muito distante do Vasco ?
Almir: Não acho não.
Iustrick: Mas eu acho que você tem que morar perto do Vasco.
Almir: Eu não.
Iustrick: Estão escolhe – O Vasco ou Copacabana.
Almir: Copacabana.
Iustrick não tocou mais no assunto.
Esse era o Almir Pernambuquinho. O menino durão do Vasco. O homem furioso do Flamengo. O herói da Bombonera no Boca Junior. O garoto que brigou pela seleção com meio time uruguaio. Um homem próspero, tomador de cerveja que sempre amou uma coisa: a vitória.
Catimbeiro, brigão e valente eram alguns dos adjetivos que a imprensa dava ao “craque Almir”. Entre as suas muitas brigas, Almir gostava de recordar aquela da decisão do campeonato carioca de 1966 no jogo Flamengo e Bangu.
“Aquele jogo tinha que acabar daquele jeito. Logo no começo senti que não dava. Carlos Alberto entrou contundido e ficou fazendo numero em campo. O goleiro Waldomiro estava com medo e não devia nem ter entrado. O Bangu disparou e foi aumentando a vantagem. Naquele embalo a gente ia levar de enfiada. Resolvi acabar com aquele carnaval. Quem passou pela minha frente apanhou. Ainda hoje o Ladeira está correndo. Dei pernada, pontapé, soco e cabeçada. Fora os desaforos que disse a todo mundo”.
Quando jogava no Boca Junior que era dirigida pelo brasileiro Vicente Feola, Almir armou a maior confusão contra o Chacarita. Foi uma verdadeira batalha campal.
“Eu vinha de uma contusão e pedi a Feola que não me escalasse. Mas Feola disse que os cartolas exigiam minha presença. Logo no começo senti que a corda ia quebrar do meu lado. A torcida começou a me xingar. Eu olhava para Feola e pensava – Veja o que você me arranjou. Eles abriram a contagem, mas nós empatamos ainda no primeiro tempo. No começo do segundo tempo armei uma briguinha, e queria levar uns dois ou três comigo. Mas o juiz errou, somente eu fui expulso. Fui deixando o campo debaixo de vaias. Minha sorte foi a burrice de um jogador do Chacarita, que começou a me ofender. Chamei-o e ele quis dar uma de valente. Foi ele chegar e receber uma bolacha na cara. Todo mundo brigou, dois jogadores deles foram expulsos e eu entrei no vestiário como herói. Acabamos ganhando”.
Essas são algumas das brigas de Almir em uma carreira conturbada no lado da violência, mas brilhante no lado técnico já que Almir foi um craque. Depois voltaremos com novas histórias do Almir Pernambuquinho.



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